PÁGINA PRINCIPAL            NOTÍCIAS            HISTORIAL            CAPAS DOS CADERNOS            CONCURSO LITERÁRIO            O EDITOR            CONTACTOS
 
A RENOVAÇÃO E OS CICLOS
 
13 maio
 
Um dos fenómenos da natureza, que me maravilhou desde tenra idade, é a renovação anual dos seres viventes, pelo seu profundo mistério. Todos os seres vivos - animais e plantas, - se renovam, para que a vida não acabe sobre a Terra. Como cidadão urbano, que sou, observo mais facilmente as plantas, que se renovam anualmente, como se a vida renascesse da morte aparente, como Fénix renascida das cinzas. As árvores, depois de desfolhadas pelo outono, parecem figuras mortas, ou mendigos implorando de braços estendidos, secos e nus. Breve rebentam as folhinhas verdes e voltam a sombra, as flores e os frutos. Os animais renovam-se pela procriação, em ciclos estabelecidos pela natureza. Assim, as espécies persistem e resistem aos séculos e aos milénios. A renovação é responsável pela existência dos ciclos que, no seu conjunto, preenchem a duração do tempo de vida, entre o nascimento e a morte. Então, a vida é uma sucessão finita de ciclos e, como disse Lavoisier: «nada se cria, nem se perde; tudo se transforma». Curiosamente, aparecem no reino mineral casos de renovação e de ciclos. Também as reações químicas maravilharam os meus primeiros anos de colegial, com a transformação dos elementos em outros diferentes. Porém, mais me espantaram as reações cíclicas. A primeira que se estudava na química era o sabão. Certos componentes, quando misturados com água, formam o sabão. Este, quando misturado com água, liberta aqueles componentes, que, por sua vez, misturados com água, tornam a formar sabão. É a existência destes ciclos que nos permite lavar as mãos com uma pequena porção de sabão e, sucessivamente, ir tendo sabão a fazer espuma. Outra é o ciclo da cal. Determinada pedra, depois de cozida, transforma-se em cal viva. Esta, misturada com água, forma a cal morta, com a qual se faz a caiação das paredes. Para secar, a cal morta absorve o oxigénio do ar e transforma-se novamente na pedra que foi inicialmente cozida, ou seja, voltamos ao início do ciclo. Ainda outra é o ciclo da água, em que a evaporação dos mares – estado líquido - forma as nuvens – estado gasoso, - que descarregam para a terra - em estado líquido, - aí formando os riachos e os rios, que correm de novo para o mar. Em certas condições atmosféricas, o gelo – estado sólido – pode entrar neste ciclo, sob a forma de neve ou de granizo.
 
 
copyright © 2009 - 2013 Cadernos Santa Maria. Todos os direitos reservados