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A RAZÃO DESTA CRISE
 
19 maio
 
As crises sempre existiram e eram previsíveis pela economia. O que passou pelo ocidente foi um verdadeiro tornado destruidor, cujos destroços só poderão ser removidos com uma verdadeira «Política Nova», executada por «políticos novos», com «ideias novas», mas parecidas com as que nos orientaram até esta catástrofe. Antes, a culpa era da ganância dos capitalistas; agora foi da ganância dos financeiros, apoiando-se em políticos corruptos, desonestos, que os ajudaram a alcançar os seus fins. O negócio dos Bancos é emprestar dinheiro e receber juros. Uma onda da «loucura do Eldorado» criou o mito da fortuna fácil e a sociedade tornou-se rapidamente adoradora desse mito. O falado bezerro de ouro do Antigo Testamento tornou-se, agora, naquela folhinha de papel chamada euro. Os ricos quiseram ser mais ricos e os pobres viram a possibilidade de viver como ricos. Nem uns nem outros fizeram contas. Atiraram-se de cabeça e bateram com ela no fundo da piscina, porque a água era virtual. Vejamos como era virtual e, parecendo que se via, não existia. Quando o comércio da Europa das especiarias da Índia se instalou em Lisboa, local da chegada das carregadas naus de madeira e velas de pano, não podia haver uma crise. A moeda tinha o valor comercial do metal de que era composta: ouro, prata ou cobre. Quer isto dizer que, derretendo-se a moeda, o metal poderia ser vendido pelo mesmo valor que a moeda tinha. Era limpinho. Não se enganava ninguém. Tinhas moedas? Podias comprar. Não tinhas? Ninguém te vendia. Ainda não se conhecia a palavra «fiado». Quando a moeda passou também a ser em papel (no nosso caso, no reinado de D. Maria II), as coisas mudaram… e muito. Parecia ser a mesma coisa, porque era obrigatório ter no Banco do Estado uma reserva em ouro correspondente às notas em circulação, que servia de garantia. A gente sabe o que são as garantias do Estado. À primeira falta de dinheiro, toca a fazer mais notas. De produção em produção, sem aumento do ouro de garantia, cada vez o dinheiro valia menos. O rei de antigamente não podia fazer mais moedas, se não tivesse metal; agora, ao rei, é fácil arranjar papel. Depositas 100 euros no teu Banco e ele assenta na tua ficha que tens lá esse dinheiro. Na realidade, o que tens lá é um número escrito na ficha. Os teus 100 euros servem para o Banco emprestar a outrem, mediante o pagamento adiantado de juros, ou para pagar à empresa que faz a limpeza, ou para acertar contas com outro Banco. É preciso ter em atenção que, em todos estes percursos, as notas não circulam, mas simplesmente números, que servem para somar ou subtrair. De Banco para Banco, em todos os negócios volumosos, na compra da casa ou do carro, não se entregam notas, mas simplesmente números. Então, a economia assenta na circulação, não de dinheiro, mas de números. O que originou o tornado destruidor foram os devedores aos Bancos que não pagaram o que deviam, os devedores ao Estado que fizeram o mesmo, os comerciantes que não pagaram aos fornecedores, os clientes de fiados que não cumpriram, etc. Se, em determinado dia, hora e minuto todos os que têm dinheiro do Banco se apresentassem lá a pedir a sua devolução, era o «fim do mundo», porque o total dos tais números, que andam em circulação, é muito maior que o total de notas existentes.
 
 
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