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ENGENHARIA FINANCEIRA
 
5 julho
 
No "Novo Dicionário da Língua Portuguesa, da Texto Editores, de 2007", pode ler-se que «engenharia» é a aplicação de conhecimentos científicos e empíricos à conceção de estruturas, dispositivos e meios de transformar e converter os recursos naturais de modo a contemplar as necessidades humanas. Este conceito baseia-se nas ações de criação e transformação exercidas pelo ser humano para chegar ao estado civilizacional atual. Trata-se, portanto, de atos de criação, com a ajuda de recursos da natureza, ao seu dispor, como água, terra, pedra, metais, madeira, etc. Vem este assunto a propósito da forma abusiva com que se está a fazer uso da palavra engenharia, nesta moda atual de destruir sistematicamente tudo o que vem de antigamente. Como se o homem do nosso tempo tivesse descoberto finalmente a pólvora, desatou a reformar tudo à sua volta. Não foram metidos no pacote apenas a língua e as artes, mas também a moral e os bons costumes. Recentemente, começaram a atribuir todas as vigarices governamentais, nos campos do orçamento e dos pagamentos ilícitos, a uma coisa a que chamam de engenharia financeira. É fácil de constatar o paradoxo. Nestas operações, nada se criou ou transformou, como seria necessário para que fosse engenha-ria. Ao invés, destruiu-se o bem-estar das pessoas e aumentou-se a dívida de cada cidadão. Ora a engenharia sempre foi considerada uma atividade digna, no caráter, e prestigiada nas obras estudadas e executadas. São disso exemplo as grandiosas obras, desde as misteriosas pirâmides do Egito até às espantosas estruturas arquitetadas no nosso tempo, cuja beleza estonteante parece filha de arquitetos, que não são deste mundo, porque desafiam as conhecidas leis da gravidade. Não é lícito, portanto, chamar engenharia financeira à arte politiqueira de escamotear despesas nos orçamentos e de irresponsáveis banqueiros empresta-rem dinheiro a quem não o pode vir a pagar.
 
 
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