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A ILITERACIA DOS PORTUGUESES
 
5 outubro 2013
 
Foi dada recentemente a notícia de que 60% da população de Gaia tinha menos do 9º ano de escolaridade. Não duvido de que aquele concelho não será uma exceção e que a população, em geral, acompanhará parecida percentagem. Isso traduz-se por uma maioria significativa de iliteracia na sociedade lusa, com a lógica consequência de menor rendimento do trabalho e da produção e estará na causa da nossa falta de casos de inovação. É pena o INE não divulgar estes dados com base nos recensiamentos. Não é fácil, com este índice do «pouco mais que analfabetismo», este país sair rapidamente da crise em que se encontra. A Revolução deu a esta gente a falsa ilusão de que iria subir por aí acima na escada social e financeira, quando não tem o mínimo de qualidades necessárias. Por mais que certos políticos encham a boca com a palavra «igualdade», os homens não são iguais. Com quase quarenta anos, a nossa democracia deveria ter tido tempo suficiente para aproveitar os investimentos feitos em escolas e na educação. Se é verdade que o analfabetismo herdado da ditadura diminuiu de uma forma extraordinária, o resultado prático para o país não mudou quase nada. Foi muito dinheiro perdido e não só. A classe dos professores, conceituada durante séculos, perdeu o respeito dos discípulos e não teve forças para remar contra a maré destruidora, porque os sucessivos ministérios a abandonaram à fúria desordenada de várias gerações sem regras. Sem pais, sem escola, sem disciplina, a criançada foi crescendo num paraíso falso, mas gostoso, onde não era preciso estudar, nem sequer ir às aulas para ir transitando de ano. Os nossos governantes não viram a realidade e embandeiraram em arco com os fabricados resultados de 100% de sucesso nas escolas. E agora? Temos 60 ou 70% de uma população, que sabe ler e escrever, mas não entende o que lê e não consegue exprimir-se por escrito. Incapaz de perceber as instruções que acompanham máquinas e aparelhos, vivem sem as qualidades indispensáveis para ir além dos trabalhos menores. Os milhares de trabalhadores atirados para o desemprego pertencem na sua maior parte ao grupo dos tais 60%. Conseguiram aprender uma atividade, mas não procuraram evoluir durante esse tempo de trabalho. Sem emprego, agora, não sabem fazer mais nada. Apareceram então umas cabeças iluminadas de governantes a dizer que era preciso requalificá-los, o que quer dizer ensinar-lhes outro ofício. São pessoas que já se esqueceram do redondo fracasso e do dinheiro perdido nos centros de formação de má memória, que apenas serviram para empregar formadores. Como os inscritos eram remunerados, houve menino que foi vivendo durante três ou quatro formações, sem que tivesse conseguido arranjar emprego naquelas áreas, mesmo depois dos estágios finais no Estado e no Privado. Não sabiam fazer nada. Várias gerações foram, então, vítimas da inépsia dos governantes, porque a sua pouca idade queria era aproveitar a onda de laxismo que puseram à sua disposição.
 
 
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