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O GRANDE TERRAMOTO
 
 
O sismo de 1755, também conhecido por Terramoto de 1755 ou Terramoto de Lisboa, resultou na destruição quase completa da cidade de Lisboa, atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami - que se crê tenha atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais). Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos atuais estimam que o sismo de 1755 teria atingido a magnitude 9 na escala de Richter. Lisboa, graças ao majestoso estuário do Tejo, utilizado pelos barcos de muitas e diversas civilizações mediterrânicas e do norte europeu, é uma das cidades mais antigas do mundo, anterior a Paris e a Roma. Na primeira metade do século XVIII ocupava a faixa marginal desde Alfama, a leste, até à zona de Alcântara, a poente. Para o interior ia até uma linha a passar pela Madragoa, Bairro Alto, Restauradores, Martim Moniz, Sé Catedral e S. Vicente de Fora. O terramoto de Lisboa teve um enorme impacto político e sócio-económico na sociedade portuguesa do século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um sismo numa área alargada, marcando assim o nascimento da moderna Sismologia. O acon-tecimento foi largamente discutido pelos filósofos iluministas, como Voltaire, inspirando desenvolvimentos significativos no domínio da teodiceia e da filosofia do sublime. O grande abalo fez-se sentir na manhã de 1 de Novembro de 1755, às 9:30 ou 9:40 da manhã, dia que coincidiu com o feriado religioso do Dia de Todos-os-Santos, quando as igrejas estavam cheias para a missa matinal. Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, sucessivamente, consoante o local, durante entre seis minutos a duas horas e meia, causando fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa. O padre Manuel Portal é a mais rica e completa fonte sobre os efeitos do terramoto, tendo descrito, detalhadamente e na primeira pessoa, o decurso do terramoto e a vida lisboeta nos meses que se seguiram. A intensidade do terramoto em Lisboa e no cabo de São Vicente estima-se entre 9-10 na escala de Mercalli. As abóbadas e os tetos das igrejas caíram sobre os fieis, provocando aí a grande maioria das mortes. As paredes eram feitas de alvenaria de pedra e cal, suscetíveis de abrir rachas e de se desmuronar, deixando de segurar os tetos. Do novo traçado da cidade foi encarregado o arquiteto Manoel da Maia, que, certamente, seguiu as diretrizes do Marquês de Pombal, que adquirira muitos conhecimentos da modernidade nas suas viagens pela Europa. Aproveitando a catástrofe ter-lhe deixado pano à vontade para traçar a nova cidade, dada a razia de toda a Baixa, idealizou implantar os prédios altos com mansardas, que vira em Paris e em Viena, sendo as ruas em quadrícula, como era moda na época europeia. Para isso, havia que executar trabalhos de construção especiais, desconhecidos dos mestres portugueses, habituados a casas de um só piso ou de dois. O terrível fenómeno destruidor, acontecido pouco tempo antes, exigia que se pensasse em proteger os edifícios contra fenómenos semelhantes. Então, dois aspetos construtivos foram desenvolvidos com manifesto êxito: as fundações e as paredes. Os terrenos à beira-rio ou à beira-mar são geralmente arenosos e, como tal, permeáveis às águas subterrâneas. Com efeito, edifícios de quatro pisos mais as águas-furtadas, teriam de ter fundações bastante mais profundas do que era habitual fazer e não podiam assentar em areia e água, como verificaram ser o subsolo. A solução, muito engenhosa, foi tão bem estudada, que os prédios ainda lá estão bem firmes, depois de duzentos e cinquenta anos. O pinho verde aguenta-se inalterável dentro de água, quer doce, quer salgada. Cravaram estacas de pinho verde ao longo dos sítios para as paredes, travadas, entre si e ao nível das cabeças, por vigas também de pinho verde, e sobre estas vigas foram construídos os caboucos, subindo até ao nível da rua e, daí para cima, fizeram-se as paredes. As paredes, porém, teriam igualmente de ser pensadas para resistirem a tremores de terra. Sem poderem dispor de ferro e cimento, como agora se faz, construíram uma grade de madeira seca, em forma de pilares e vigas, que ficou no interior das grossas paredes de alvenaria de pedra e cal. A madeira seca não é passível de encolher ou esticar, pelo que as paredes, se abanadas por fenómeno sísmico, movem-se em monobloco, não abrindo fendas.
 
 
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