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NATAL DE HOJE
 
1 dezembro 2013
 
O verdadeiro espírito do Natal não está num pinheiro enfeitado com flores de algodão, bolinhas reluzentes e luzinhas a piscar. Este símbolo agrada efetivamente às crianças, mas elas não conhecem o significado da época festiva em que o pinheiro aparece, gostando do efeito mágico das cores e do aparato. Aliás, quando já o conhecem, é quando ligam este símbolo a uma altura do ano em que há presentes. Quando a tecnologia ao serviço do homem ainda andava no nível do artesanato; quando a comunicação se ficava pela distância vencida a pé entre a aldeia natal e a vila sede do concelho; quando, para as gentes do interior, mar e cidade não passavam de palavras ocas, sem que pudessem corporizar essas ideias; quando o dinheiro não circulava e as pessoas viviam daquilo que a terra e os animais davam, então, a palavra do padre tinha um grande impacto nas suas cabeças e na sua crença. A época natalícia era festejada no campo da fé e da religião, muito mais que no campo da família, pois esta se encontrava diariamente no trabalho que requeriam a horta, a vinha, o lameiro, a mata, etc., bem como em casa, para a ceia e para dormir. Nessa altura, o Natal significava unicamente a comemoração do nascimento do Salvador, em toda a sua pureza. A partir da Primeira Grande Guerra, a sociedade urbana sofreu uma profunda transformação, porque o homem conheceu os horrores do campo de batalha e reconheceu que a morte não era apenas o fim natural da vida, mas também a foice da Velha ao serviço de certos homens e dos seus interesses. Então, retirou uma parte do seu tempo dedicado à fé e utilizou-o em proveitos lúdicos. Entretanto, o estraordinário desenvolvimento da ciência e da tecnologia foi pondo ao serviço do homem cada vez mais benefícios no campo das comunicações, das ferramentas e dos utensílios domésticos, traduzidos em melhor qualidade de vida e em mais dinheiro para gastar. Também a saúde foi beneficiada e a esperança de vida foi alargada de uma forma exponencial. Estas transições, demasiado rápidas, levaram o homem a procurar mais e mais o prazer e a esquecer-se da sua parte imaterial, da sua fé. Por seu lado, também a Igreja de Roma ficou perturbada com o rápido caminhar dos acontecimentos, a ponto de ser incapaz de acompanhar as transformações sociais e de se adaptar a elas. Depois de cerca de mil e oitocentos anos de marasmo, de estagnação em todos os campos da atividade humana, de repente, em menos de cem anos, o homem passou a deslocar-se de comboio, de automóvel e de avião; inventou o betão armado e as estruturas metálicas e ergueu arranha-céus e venceu a largura dos rios; descobriu o rádio e a estrutura molecular, a penicilina, a cirurgia ao cérebro e ao coração, os transplantes, o ADN, etc. Pôs os pés na lua e foi espreitar como era marte. Foi e voltou, como se fizesse uma viagem de avião. Se a Igreja aceitou que o Genesis não passava de uma simbologia e que o Inferno só existe na alma do homem, não conseguiu passar daí. Francisco, o Papa da esperança, está a conquistar o coração dos crentes e dos ateus e esperamos que renove a Igreja, para que os homens regressem à sua antiga vida espiritual, tão necessária à recuperação da moral e dos bons costumes.
 
 
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