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A ATIVIDADE CULTURAL EM FARO
 
15 dezembro 2013
 
Entrei no Algarve, pela porta de Portimão, no dia 6 de janeiro de 1960, e trabalhei na Câmara Municipal, que, devido a uma injustiça, abandonei para me fazer professor em Silves, durante três anos. Não fui infeliz e na cidade da Praia da Rocha nasceu a minha filha mais nova. O administrador da Engil foi-me buscar, aliciando-me para vir para Faro, com o fim de dirigir todas as obras do distrito, com direito a um salário melhor e comparticipação nos lucros. Mais uma vez uma injustiça me levou a abandonar a empresa. O meu orgulho nunca me deixou ser pisado sem razão e esse defeito terá condicionado certamente o meu percurso de vida. De novo no desemprego, fui acolhido pelos Serviços Hidráulicos, onde trabalhei até à reforma. Entrei pela porta de Faro no dia 9 de junho de 1963, num fim-de-semana alargado, de cinco dias, por abranger três feriados: Corpo de Deus (dia 9), Dia de Portugal (10) e Santo António (dia 13, em Lisboa). Vindo de uma aldeia grande e tendo morada na Baixa farense, julguei-me numa grande cidade, ao ver a multidão que andava pelas ruas durante o fim de tarde. Breve verifiquei que estava numa outra aldeia grande, quando debandaram os turistas na segunda-feira. No ano em que aqui cheguei havia diversas sociedades recreativas ativas, mas apenas três instituições de caráter cultural: Círculo Cultural do Algarve, Cine-Clube de Faro e Rotary Club de Faro, todas ainda existentes. As duas primeiras acolhiam agentes culturais e simples interessados, sendo preponderante o Círculo Cultural, que reunia semanalmente, tinha biblioteca, convidava palestrantes de Lisboa e tinha sempre grande assistência, que tinha de permanecer de pé. Fazia também exposições, com que iniciaram a sua carreira artística José Maria Oliveira, em escultura e mais tarde em pintura, e Zé Manel, que foi sempre pintor, dedicando-se mais tarde também a antiguidades. Em 1961, Faro tinha 35.600 habitantes. Atualmente anda pelos 64.500 e a vida na cidade mudou radicalmente, no que respeita a cultura, enquanto as sociedades recreativas entraram francamente em declínio, mantendo-se a vegetar graças a alguns carolas antigos. As pessoas que aqui vivem não se podem queixar, porque todas as semanas realizam eventos culturais e há dias que são três.
 
 
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