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PRAXES CONTINUAM A MATAR
 
26 abril 2014
 
De novo aconteceu uma outra desgraça durante uma praxe académica. Mais três jovens morreram em brincadeiras, toleráveis em crianças inocentes e inconscientes, mas impróprias de pessoas que já ultrapassaram a barreira da maioridade. Agora foi em Braga. Quatro meses depois da morte de outros seis jovens na praia do Meco, vítimas de praxes estúpidas e irresponsáveis, nem ministro nem reitores resolveram fazer alguma coisa. Quarenta anos passados sobre a queda da Ditadura, as pessoas ainda não se libertaram do medo de «proibir», como se não fosse tempo já de embrulhar a sombra do fascismo. Desta vez, perante nova desgraça, o reitor da Universidade do Minho limitou-se a declarar que deixa de apoiar a associação académica, lavando as mãos, como Pilatos. Os estudantes, embora de maior idade, estão ainda num processo de desenvolvimento, de aquisição de conhecimentos e de experiência de vida. Não é justo atirar-se-lhes para cima com a responsabilidade de serem eles a estabelecer o plano de acolhimento aos novos alunos, que é necessário no princípio de cada ano escolar. Basta ver que as aulas começaram em Setembro e no fim de abril ainda alguns andam a «brincar» às praxes. Os reitores que atiraram com as praxes para fora dos muros da universadidade, ou seja para o meio da rua, para o meio da multidão dos civis, esqueceram-se de que os estudantes, quando vestidos do traje académico, estão a representar a sua universidade? Se as praxes fazem parte da atividade académica e são uma prática útil e necessária para integrar os caloiros e para pô-los mais à vontade naquele meio desconhecido para onde entraram, então, o ministro e os reitores devem juntar-se e estabelecer as regras de atuação e as «sansões académicas» para os prevaricadores, precedidas de processo disciplinar. Isto, sem substituir os procedimentos civis ou criminais legais, a cargo das autoridades. Há muitas formas civilizadas de integrar os caloiros, sem atentar contra a sua dignidade humana e sem lhes fazer perigar a sua integridade. Dentro da universidade — é aí que tudo se deve passar — estabelecer planos de provas físicas competitivas, de atletismo, futebol, etc., ou de atividades simplesmente lúdicas, como corridas de sacas, etc. Certamente que podemos recorrer ao que se faz por essas festas em terras portuguesas e também puxar pela imaginação. A associação de estudantes deverá estabelecer estes planos, em cada ano, e submetê-los à aprovação da reitoria.
 
 
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