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PORTUGAL NASCEU SEM SORTE
 
17 abril
 
Esta época, que a nossa vida atravessa, permite toda a espécie de trapas-sas, que nem lembravam ao Diabo. O começo do séc. XXI foi uma des-graça. A descida da qualidade de vida entrou em aceleração, sucedendo o mesmo à economia. A corrupção, que já vinha dos anos 80, espalhou-se por todos os quilómetros quadrados que tem este retângulo lusitano. Enquanto umas dúzias enriqueceram, o povo ficou mais pobre, de ano para ano. Alguns banqueiros perderam completamente a vergonha e deixaram-se tomar pelo fascínio do lucro fácil. O jogo da Bolsa, de batota em batota, tornou-se alici-ante e os banqueiros deitaram mão ao dinheiro dos depositantes e jogaram por sua conta. Como sempre acontece ao jogo, a sorte virou azar e o dinheiro foi-se. Foram feitas leis para que os crimes de colarinho branco andassem pe-los tribunais, umas vezes dançando, outras parados nas gavetas, sem chega-rem a ser penalizados. Curiosamente, olhando para o passado mais recente, verifica-se que os séculos se iniciaram todos com desgraças. O séc. XVI, com D. Manuel, trouxe-nos a In-quisição; o XVII, com D. Henrique, trouxe os espanhóis, para nos governarem durante 40 anos; o XVIII, com D. João V, trouxe o desbaratamento balofo do ouro do Brasil, que poderia ter contribuído para o desenvolvimento do país; o XIX, com D. João VI fugido no Brasil, trouxe os franceses de Napoleão, que roubaram e saquearam o que puderam; o XX iniciou-se com o regicídio de D. Carlos e do seu herdeiro ao trono, a que se sucederia a Primeira República, onde as barrigas esfomeadas se encheram de roubos e saques, como se alguns fossem os vencedores e o país o inimigo. Nós somos um povo esfomeado, que só quer comer. Se não tem nada, geme; se ganha algum ou lhe cai do céu, logo o come todo, sofregamente, como se tivesse de matar uma fome milenária, transmitida nos genes, desde os primórdios da nacionalidade.
 
 
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